Carvalho Calero, 13 de outubro de 1965

Outubro 12, 2025 // José-Martinho Montero Santalha

Em 1965 foi revogada a interdição franquista contra os antigos funcionários da República, e, dentro desta nova atitude, estava anunciada para fins de outubro desse ano 1965 a continuação das oposições que em 1936 ficaram interrompidas pelo começo da guerra civil.

Entretanto, na Faculdade de Filosofia e Letras de Santiago estabelecera-se a secção de Filologia Românica, e no seu plano de estudos incluía-se, no quinto curso, derradeiro da carreira, a disciplina de Língua e Literatura Galega. No verão de 1965, o professor Abelardo Moralejo, que era decano dessa Faculdade, escreveu a Carvalho Calero propondo-lhe que se encargasse de leccionar dita matéria, advertindo-lhe que, como o dinheiro de que se dispunha para essa docência era muito reduzido, seria conveniente que, acudindo todas as semanas a Santiago para dar as correspondentes aulas, conservasse o seu trabalho no Colégio «Fingoi» de Lugo.

“Eu fun chamado no ano 1965 polo meu antigo profesor de Latin, D. Abelardo Moralejo Lasso, quen tivo comigo sempre un trato cortés e mesmo cordial, para que me encarregase da Cátedra de Lingüística e Literatura Galega da Faculdade de Filologia, como adjunto. A asignación económica era daquela moi baixa, polo que compaginei a minha actividade universitária coa docência no Instituto Rosalia de Castro”1.

Carvalho, pendente de realizar as oposições convocadas para fins de outubro, comunicou a Moralejo que aceitava o encargo à espera de que o resultado de ditas provas lhe permitisse estabelecer-se em Santiago como professor de Língua Espanhola e Literatura no Instituto «Rosalia de Castro», onde existia uma vacante.

Acordou-se, pois, que Carvalho assumisse nessas condições a docência, e assim começou o curso. Carvalho Calero iniciou desse modo as suas aulas na Universidade. Ele mesmo o contava poucos anos depois, referindo-se a si próprio em terceira pessoa:

“O 13 de outubro de 1965, na Aula Trasmagna da Faculdade de Ciencias –pois o edificio central da Universidade, onde ten aloxamento a Faculdade de Filosofia e Letras, se achaba en obras de reforma– un profesor encarregado de curso espricóu a primeira leición da nova asignatura”2.

Eram três lições semanais.

Ademais dessas aulas de Língua e Literatura Galega para os alunos de quinto curso de Filologia Românica, foram-lhe também encomendadas as aulas de Língua e Literatura Galaico-Portuguesa Medieval para os alunos de quarto curso da secção de História, que existiam desde anos atrás, neste caso como disciplina opcional, alternativa a Latim Medieval. Eram duas classes semanais3.

Poucas semanas depois, teve que trasladar-se a Madrid: ali, no Instituto «Beatriz Galindo», na rua de Goya, se desenvolveram as provas. Carvalho sacou o número 1 na lista de professores de Letras, e assim pôde solicitar o posto vacante no Instituto «Rosalia de Castro» e incorporar-se a este centro como professor adjunto. Foi então quando recebeu por primeira vez um soldo como professor estatal.

Começou assim a longa estadia de Carvalho na cidade de Santiago, que perduraria já durante toda a sua vida, embora nos derradeiros anos, já jubilado da docência, dividisse a residência com a cidade de Lugo, onde vivia uma das filhas.

Num primeiro momento, a família de Carvalho estabeleceu-se num andar do mesmo edifício em que residia Ramom Pinheiro, no núm. 15 da rua de Gelmírez; o edifício era propriedade do doutor Garcia Sabell4. Mais adiante mudariam a residência para a Carreira do Conde.

José-Martinho Montero Santalha

  1. «Entrevista» a Carvalho Calero publicada no jornal El Progreso, de Lugo, no domingo 30 de maio de 1982 e realizada por «José Loureiro», pseudónimo do colectivo constituído por Araceli Herrero Figueroa, Joám Carlos Rábade Castinheira e Ramom Reimunde Norenha. ↩︎
  2. «O galego na Universidade», em: [Vários], O porvir da lingua galega, Círculo de las Artes, Lugo 1968, p. 41. ↩︎
  3. Vid. Fernán-Vello / Pillado, Conversas (1986), pp. 167-168. ↩︎
  4. Vid. Carmen Blanco, Carballo Calero: política e cultura (1991), p. 45: “eu vivín na mesma casa de Piñeiro, en Xelmírez 15, no piso inferior, pois mentres non trouxen á miña muller viña de Lugo certos días e entón se me facilitou, xentilmente, aloxamento, algunhas habitacións no piso que estaba valeiro nesa casa que é de Domingo García Sabell…” ↩︎

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