As conversas com a Câmara Municipal de Ferrol, nas que pretendíamos apoios para o lançamento dos nossos Prémios literários desde a CCC, nom conseguiu a sua primeira finalidade. Aparentemente, porque deveu contribuir de algum modo para um efeito igualmente propício aos mesmos desígnios: o Concelho vai recuperar o seu antigo Prémio Carvalho Calero, nos moldes da primeira época, com modalidades de narrativa curta e investigaçom linguística ou ensaio. A primeira ediçom arrancou em 1990 e a última data de 1916, passando por intermitências bianuais. Quase umha década depois, aqui estará de novo. No exíguo espaço galego existe umha quantidade importante de prémios e concursos de escrita literária, com irregular volume e até relevância quanto a géneros, no sentido aristotélico, e quanto a tipo de recompensa, no sentido pecuniário. Mas irregularidade maior é a que se refere à (falta de) liberdade de norma. Alguns trabalhos realizados no contexto da cadeira de Sociologia das Literaturas de Língua Portuguesa, na Faculdade de Filologia de Compostela, foram comprovando a predominante dificuldade de sobrevivência desde a resistência nos últimos anos. Um condicionante que tampouco tem interessado demasiado em estudos precedentes, onde a Literatura infantojuvenil ou os estudos de caso predominam, referindo-se ademais a períodos mais distantes e até doutra amplitude geográfica. Deixemos alguns exemplos: A literatura juvenil no Brasil e na Galícia. Prêmios literários. Estudo comparado (2016), tese de Vanessa Regina Ferreira da Silva; “Los premios literarios. Una estrategia en Carlos Casares” (2011), de Mar Fernández Vázquez; “Dos prémios literários no sistema cultural galego” (2005) de Susana María Sánchez Arins; “Geocultura exótica en la España de la Transición: el caso del realismo mágico gallego en los sistemas de premios literarios español y gallego (1968–1994)” (2023), de Pablo Pesado Rodríguez; “Premios literarios e de ilustración na LIX” (2013), de Blanca-Ana Roig Rechou et al.; “Premios literarios de la Crítica 2006: Lugo, capital del estado” (2006), de Xosé Carreira; “Los premios San Clemente y Bento Spinoza: una apuesta por los sueños y la lectura. IES Rosalía de Castro, Santiago de Compostela (Galicia)” (2014), de Ubaldo Rueda Soto et al.; ou “O valor dun premio literario: ante a convocatoria do “Follas Novas”” (2021), de Rexina Rodríguez Vega, entre outros.
A Cátedra Carvalho Calero comprometeu-se a participar no júri deste renascido por tantos motivos diferencial. Parabéns ao Concelho de Ferrol por restaurar de imediato o único espaço de liberdade onde os dissidentes da norma castelhana encontramos durante anos, na nossa casa, um quarto onde cair mortos sem ter que migrar continuadamente.